Como a Educação Domiciliar muda vidas….


Que a educação domiciliar tem muitas vantagens a gente já sabe, e já temos muitos textos falando sobre este assunto. Entretanto há casos em que o ensino em casa chega a promover uma mudança completa na vida familiar e mães com crianças diagnosticadas com distúrbios observam seus filhos florescerem e progredirem no ambiente familiar.

Gostaria de compartilhar a história de Larissa e sua família. Desde que ela decidiu educar em casa, tem agradecido a Deus pelas mudanças ocorridas em seu lar. Com a palavra: Larissa!

Meu nome é Larissa, esposa do Felipe. Temos 3 lindos filhos:  Frederico de 6 anos, Clara Emilia de 3 anos e Alice de 1 ano.

Frederico nasceu prematuro de 35 semanas em abril de 2011. Quando nasceu teve algumas intercorrências mas nada serio. Teve alergia alimentar e até os 2 anos a alimentação dele era bem acompanhada e controlada. Aos 2 anos já estava fazendo tratamento alérgico quando resolvi trabalhar em uma escolinha waldorf, onde ele foi pra estudar com bolsa.

Eu sou formada em direto, porém me formei grávida dele e resolvi me dedicar a maternidade. O trabalho nessa escola foi só mesmo para experimenta-lo em escola e eu ver se daria certo tentar voltar pro mercado de trabalho.

Ele gostava de lá mas, com o tempo, fui vendo ele mais quietinho. Porém, ele era muito inteligente e questionador e aos 2 anos e meio me interrogou porque o sol nasce de um lado e a lua muitas vezes está do outro. Foi quando ensinei para ele sobre o rotação e traslação. No final desse ano fiquei grávida novamente da minha segunda filha e ele foi estudar mais perto da casa da minha mãe em uma escola muito conhecida aqui na cidade.

Foi quando as mudanças começaram aparecer.

Muitos diziam que era culpa minha por ter engravidado com tão pouco tempo e que ele estava sofrendo por isso. Ele começou ficar mais retraído e choroso, cheguei a ir na escola várias vezes e escutei na época a professora falar que meu filho era muito inteligente que às vezes não estava se adaptando porque na turminha dele as crianças estavam bem bebês ainda e que o certo seria adianta-lo mais duas turmas. Nessa época ele já tinha me questionado sobre a gravidade e sabia explicar muito bem, além da forma coloquial de falar. Achei uma loucura, e  ele não queria mais ir na aula.

Novamente, no ano seguinte, tentei outra escola waldorf pensando que resolveria o problema. Mas não ajudou não. Ele foi se fechando cada vez mais, queixava-se que os meninos riam do bumbum dele quando ele ia ao banheiro, que batia nele, e novamente estava lá eu na escola. Um menino chegou a dar uma varada de bambu que cortou a costa dele. Tivemos reuniões e mais reuniões na escola.

Nesse período ele já não brincava mais com crianças que não conhecia, em festas de aniversário e em parques ele não desgrudava de mim, tinha um pavor de pessoas. Continuava escutando que era por conta do nascimento da irmã. Quando fiquei grávida da caçula escutei mais um pouco que era a nova gravidez. Ficava preocupada mas sempre quando queria deixa-lo sem estudar todos falavam que aí sim que iria prejudicar a interação social dele. Nós mães sofremos muito.

Sofri muito correndo pra um lado para o outro indo em escolas e mais escolas. Tentamos mais uma escola e ele não ficou nem 2 meses, entrou em crise de choro, só ficava no cantinho da sala, e eu chorava junto. Enfim foi pra escola municipal onde até foi acolhido muito bem, mas logo a professora me chamou para falar sobre ele, dizendo que ele não interagia, que não queria contato, que não saia pro recreio mas que conversava com elas vários assuntos além da idade e que eu deveria buscar uma avaliação.

Foi quando fui em 2 psiquiatras, 1 neuro e 2 psicólogas, e todos diagnosticaram ele com transtorno de espectro autista, autismo leve de alto funcionamento e muito inteligente.

Achei que com todos esses acompanhamentos iria melhorar mas foi piorando. Ele se recusava fazer atividades, passou a ficar muito nervoso e agressivo, com resistência em ir na aula ou qualquer coisa que não fosse do jeitinho que ele queria. Era uma dificuldade levar ele pra escola e um sofrimento.

Foi quando conheci, por uma amiga, o HS e fui pesquisando, vendo vídeos estudando e resolvi aplicar nele. Logo vi a dificuldade de alfabetização dele, pois as escolas apresentaram o alfabeto e disso foi pro silábico. Ele não conseguia de forma alguma juntar sílabas e ler sílabas e muito menos formar e ler palavras. Pratiquei com ele o fônico, som de cada letras e foi um sucesso. Em uma semana ele escreveu e leu uma vez inteira.

Mas não foi fácil. Usei jogos de letras, quadro, livros e muita brincadeira para quebrar a barreira que ele criou de tarefas e letras. Na segunda semana, já fazendo HS, não forcei mais ele ir na escola, vi que em casa estava surtindo mais efeito do que o ano todo na escola, e fui incrementando.  Ele já leu a capa e as primeiras páginas de um livro sozinho – ” O menino azul” de Cecilia Meireles, ele adora. E continuo diversificando as atividades com pintura, colagem, brincadeiras, vídeos  e músicas.

Ele agora ama estudar, já pergunta que horas vai começar a próxima atividade, alem de estar mais calmo. Melhorou a interação social com as irmãs. Pela primeira vez falou que amava a irmã de 3 anos, brinca com elas por horas, sendo que antes não a deixava chegar perto. Então, foi a vez de experimentarmos ele fora de casa. Fomos ao parque, e surpresa: ele soltou da minha mão naturalmente e foi brincar. Fomos na sorveteria e nova surpresa: ele foi brincar sozinho com as irmãs e quando viu uma mariposa ainda puxou assunto com uma garotinha que não conhecia mostrando a mariposa.

Fomos a um aniversário de uma amiga da minha mãe, e mais surpresa: deixou a amiga dela abraçar e dar um beijo em seu rosto. Gente, é muita mudança em tão pouco tempo!

Só me fez ter certeza que aplicar o HS em período integral foi a melhor coisa pro meu filho. Amo muito HS. E as pequenas já estão participando também. Saio muito com ele, faço aula de campo, e ele também tem atividades fora de casa, como eco terapia, capoeira e a de 3 anos faz Ballet.   Estou muito mais segura e todos na casa estão felizes. Agora as coisas fluem mais tranquilo. O cronograma de aula dele é bem sortido em linguagem escrita, matemática, ciências naturais, astronomia, música, artes, língua estrangeira. E tudo faz os olhinhos dele brilhar.

Ele é muito inteligente e realmente questiona coisas muito além de sua idade, adora os planetas sabe até as composições de cada um, sabe explicar sobre buraco negro, forma magnética, raios gama, moléculas, glóbulos brancos e vermelhos, dentre outros assuntos de interesse dele. Quando o interessa, ele grava rapidamente o assunto e sabe dar uma mini aula. Já esta ensinando a irmã de 3 anos várias coisas. Estamos todos muito felizes. Escola nenhuma conseguiria suprir suas necessidades, suas curiosidades.

 

Que maravilha, não é mesmo? Assim como Larissa, outras mães tem experimentado essa mudança na vida de seus filhos e de seus lares. Se você é uma delas e gostaria de compartilhar sua história, entre em contato conosco.

 

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