A Primeira Letra Cursiva!


Por Lícia Arruda

A imagem abaixo é da primeira letra cursiva que meu filho primogênito fez. É a letra V. A caminhada até chegar a esse momento foi longa. O incrível é que não planejei que esse desenho acontecesse agora. Pensei que as primeiras cursivas surgissem apenas daqui há dois anos. Mas a educação domiciliar proporciona surpresas como essas, afinal, a todo momento nossos filhos nos mostram, por atitudes e/ou palavras, aquilo para o qual estão preparados. Meu filho estava preparado para iniciar o desenho das letras cursivas.

 

Comecei as bases para a caligrafia no ano passado. Escolhi trabalhar tanto a motricidade fina quanto a questão muscular. Fiz um apanhado, na internet, de varias atividades (a maioria sem uso do lápis) que contribuíssem para o desenvolvimento da coordenação motora fina. Ainda hoje, essas atividades fazem parte da nossa rotina. Reforcei, também, as atividades físicas, principalmente aquelas relacionadas ao fortalecimento dos músculos das costas, ombros e braços, todos eles fundamentais para uma boa postura ao sentar-se. Brincamos muito de arremessar bola, escalar parede de pedra, braquear nos brinquedos das pracinhas, desenhar na parede… Enfim, avaliei que, essa abordagem daria ao meu filho uma boa base para o futuro trabalho de caligrafia.

 

Passado algum tempo, iniciei os trabalhos usando lápis. A pega do lápis foi um grande desafio. Com calma e muita paciência, trabalhamos juntos para que ele segurasse o lápis de forma correta. Fizemos muitas atividades para reforçar o uso correto dos dedos. Assim, colocamos muitas moedas em cofrinhos, abusamos das brincadeiras com bloquinhos de encaixar, penduramos muita meia com pregadores de roupa, colocamos muitos palitinhos dentro de garrafas, retiramos muitos feijões de dentro de massinhas de modelar, entre outras. Aos poucos, a pega do lápis foi melhorando e ele foi se sentido mais seguro e confortável para desenhar e colorir.

 

A próxima etapa foi a escolha do método de caligrafia que eu usaria. Uma amiga indicou-me um método que há mais de cem anos é utilizado nos Estados Unidos. Comecei a estudar o método e encantei-me. Fiz, então, as adaptações necessárias considerando o desenho da letra cursiva tradicional no Brasil e considerando, também, a forma como sei que é mais prazerosa para ele aprender.

 

A primeira etapa desse método de caligrafia consiste em decompor as letras nos traços que as compõem. As letras, tanto na forma bastão como na forma cursiva, são formadas por um conjunto de traços. Iniciei, então, o treinamento com o meu filho, desses traços. Primeiro, eu desenhava o traço para ele e dava o nome do traço. Depois, ele repetia o gesto do desenho do traço no ar, sempre falando o nome correspondente. Quando eu percebia que ele estava fazendo o desenho no ar de forma correta, íamos para a caixa de areia. Lá, com o dedinho, ele fazia e refazia o traço, sempre dando o nome correspondente. Quando ele já demonstrava o domínio dessa fase, partíamos para o desenho do traço no quadro de giz e depois no caderno. Fizemos isso de forma tranquila e disciplinada, todos os dias da semana.

 

Trabalhamos, também, com desenhos. Desenhar é uma poderosa ferramenta para melhorar a caligrafia. Desenhamos todos os dias da semana. Há momentos de desenho livre sim. Mas o desenho para a caligrafia precisa ser direcionado. É preciso que os desenhos incluam os traços que estamos trabalhando. É impressionante como ele melhorou seus desenhos. Ver como estava desenhando melhor fez um bem enorme para ele e fez com que ele se comprometesse ainda mais com esse tipo de atividade.

 

Finalmente, chegou o dia de apresentar a primeira letra para ele, ou seja, a primeira “união” de traços. Escolhi começar pelo V. Adoto o método fônico da alfabetização. O /v/ foi o primeiro fone trabalhado com ele. Além disso, é uma letra com relação simples e direta de grafema com fonema. Desenhamos a letra bastão. Foi fácil para ele, pois a letra é composta apenas por dois traços. Em seguida, ele me pediu para desenhar a letra cursiva. Mostrei, apenas para satisfazer a curiosidade dele, as três curvas que compõem essa letra (já havíamos trabalhado todas elas de forma isolada). Ele, então, pegou o giz, foi ao quadro e me surpreendeu. Simplesmente ele me surpreendeu. Ele desenhou a letra “v” cursiva!

 

Nossos filhos nos surpreendem! Ver a primeira letra cursiva desenhada, foi uma agradável surpresa. Mas, ele estava preparado. Ele é muito dedicado e comprometido. Louvo a Deus por encher a nossa rotina de estudos com momentos de puro deleite como esse. Momentos em que um “desenho” com um giz em um quadro branco enchem nosso coração de alegria. E assim ele desenhou a primeira letra cursiva!!!

Comments

comments

Deixe um comentário